Pós-Parto

BABY BLUES… O QUÊ? ENTENDA A TRISTEZA PÓS-PARTO

“Nasceu! Sou mãe. Ok. Sou responsável por um ser completamente dependente. Mas não tão mais dependente assim. Antes, dentro da minha barriga, era mais. Era parte de mim que agora está separada. Mesmo assim, dependente. E se eu fizer algo errado? Vão dizer que sou uma péssima mãe, tenho que dar o meu melhor. Estou exausta. Mas tenho que dar o meu melhor. Espera… eu estou triste? Mas não posso demonstrar isso, o que as pessoas vão dizer? Esse deveria ser o momento mais feliz da minha vida! Será que estou ficando louca? Chegou visita… coloca um sorriso no rosto e disfarça.”

Pois é… a mãe já tem, plena consciência da mudança que aconteceria em sua vida após a chegada do bebê que esperou por 9 meses, mas vivenciar essa mudança é completamente diferente da ideia que se fazia dela.

O puerpério (primeiro mês após o parto) é o período mais propenso às crises por se tratar de um momento de muitas mudanças físicas e psicológicas.

O bebê torna-se (ainda mais) o centro das atenções e a mãe fica meio que “esquecida” até por ela mesma que precisa dedicar todo o seu tempo, energias, seus investimentos emocionais e suas atividades para aquele serzinho, ela precisa se reorganizar por inteira.

Essa reorganização é a continuação do processo que começa na descoberta da gravidez ou que pode começar, mesmo antes, nas mulheres que já se veem como mães, mas ainda não têm seu bebê.

Nesse período do puerpério, a mãe desenvolve uma identificação com seu filho para que possa colocar-se em seu lugar “imaginando” o que ele precisa e, assim, saciar sua necessidade.

Além disso, a mãe poderá passar por situações com o recém-nascido que vai precisar “suportar e sobreviver” como os momentos de inquietude, indiferença, recusa ou extrema voracidade de se alimentar e a falta de sono que ele lhe traz.

Em resumo, essa é a fase em que a mãe mais precisa renunciar aos interesses pessoais para cuidar apenas do bebê, pois é durante esse mês que ela será “capacitada” para seu cuidado.

Ok, entendi que nessa fase acontecem muitas mudanças que eu terei que enfrentar, mas onde entra esse tal de Baby Blues?

Bom, antes de qualquer coisa gostaria de deixar claro que o Baby Blues e a Depressão Pós-Parto NÃO são a mesma coisa. (Clique na Depressão Pós-Parto para conferir o artigo sobre ela!)

Continuando…

Baby Blues também tem outros nomes como Depressão precoce, Tristeza pós-parto e Melancolia pós-parto.

Todos eles para expressar a mesma coisa, uma tristeza que aparece, em média, em 80% das recém-mães entre o 2º e o 5º dia após o nascimento do bebê. Sim, acontece em uma porcentagem alta, mas a tendência é que passe sozinho após duas ou três semanas. Além disso, acredita-se que esteja diretamente ligado com mudanças hormonais pelas quais as mulheres passam nesse momento.

Baby Blues!

Essa tristeza pós-parto é um distúrbio transitório de humor, emoções voláteis, fragilidade e hiperemotividade.

“Como?!”

Para simplificar destaco os sintomas mais comuns:

  • Incômodo pela mudança drástica;
  • Insegurança perante nova responsabilidade;
  • Mudança de apetite para mais ou menos;
  • Preocupação excessiva quanto ao papel de mãe;
  • Pode achar que a maternidade nunca será prazerosa;
  • Fadiga;
  • Insônia, mesmo que o bebê esteja dormindo;
  • Dificuldade de concentração;
  • Mistura de sentimentos/alterações de humor
    • Tristeza – e não entender por que está triste quando deveria estar feliz;
    • Irritabilidade;
    • Choro – sem motivo aparente;
    • Ansiedade;

 

Com todos esses sintomas, as mulheres costumam se sentir culpadas por acharem que não estão sendo uma boa mãe e acabam se afastando um pouco, sentimentalmente, das pessoas próximas. Pois, não raramente, quando elas resolvem desabafar, são criticadas e julgadas.

Pensando nisso, percebe-se que não é, necessariamente, culpa dessas pessoas. A nossa sociedade impõe esse padrão de que a mulher tem que permanecer em uma felicidade plena desde o momento em que descobre a gravidez e, na realidade, não é bem assim que as coisas acontecem, não é mesmo?

Pois é, mas infelizmente as pessoas reproduzem e ditam os comportamentos que devem ser adequados a uma mãe sem refletir e não percebem que ao invés de ajudar, podem estar atrapalhando, deixando essa mulher com vergonha por pensar não ser boa o suficiente para seu bebê. Por conta da vergonha, ela pode deixar de pedir ajuda e sofre ainda mais.

O mais irônico disso, é que a forma mais indicada para lidar com o Baby Blues é falar sobre o que está acontecendo. Falando, é mais fácil de entender, aceitar e lidar com a situação.

E o ideal é que essa mulher consiga ter um “espaço” que seja só dela e para ela, sem julgamentos e palpites. Que tenha um lugar e uma pessoa de confiança que a faça sentir-se segura, perceber que não é perfeita, mas que o seu melhor é suficiente e que veja que não está sozinha.

Nesse caso, por ser algo passageiro, a mulher pode conseguir esse apoio do parceiro ou de algum familiar, por exemplo.

Baby Blues

Agora fica o alerta!

  • Se perceber que essa tristeza está durando mais do que 3 semanas e com longa duração durante o dia, procure ajuda de um psicólogo!

Pois uma pequena parcela das mulheres com o Baby Blues podem “evoluir” para a Depressão pós-parto, e esse quadro precisa de uma atenção maior e ajuda de um profissional.

 

RESUMINDO OS PONTOS MAIS IMPORTANTES…

  • A mulher passa por transformações físicas e psíquicas no período do parto e puerpério, é natural que se sinta insegura.
  • Quando essa insegurança vem acompanhada dos sintomas descritos mais a cima, caracteriza-se o Baby Blues. Porém, ao estabelecer um contato com alguém de confiança e conversar sobre seus sentimentos sempre que precisar, consegue obter a ajuda necessária para passar por essa fase.
  • Caso esse sofrimento aumente e/ou perdure mais do que o previsto, procure ajuda de um profissional para que possa exercer a função de mãe da melhor forma possível.

 

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2 Comentários

  • Responder Ana Maria 20/03/2016 at 22:48

    Olá Jéssica, gostaria de parabeniza-la por este trabalho. Realmente é algo mágico mas também árduo o ser mãe. Toda ajuda neste momento é muito bem vinda. Obrigada

    • Responder Jéssica Carmassi 28/03/2016 at 23:30

      Olá Ana! Muito obrigada! Fico muito feliz de saber que ajudo de alguma forma, eu é que tenho que agradecer, obrigada! Aprendo cada dia mais com as leitoras e pacientes do consultório e, por isso, me torno uma pessoa cada vez melhor e mais humana. Beijão

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